Taxação dos EUA sobre a carne bovina brasileira: impactos e perspectivas

Entenda os efeitos da nova tarifa sobre o mercado interno, exportações e o consumo de carne bovina


Os Estados Unidos anunciaram em 09/julho a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos produtos importados do Brasil, inclusive a carne bovina, com previsão de entrada em vigor a partir de 1/ago/2025. A medida acende um alerta no setor pecuário nacional, já que os EUA são atualmente o segundo maior destino da carne bovina brasileira.

Com essa nova taxação, existe o risco temporário de excedente de carne no mercado interno brasileiro, especialmente do dianteiro bovino. Esse aumento de oferta pode pressionar os preços pagos ao produtor e ao frigorífico, especialmente nas regiões exportadoras, refletindo também nos preços da carne no varejo. Ou seja, no curto prazo, o consumidor brasileiro pode ser beneficiado com uma queda no preço da carne bovina, especialmente de cortes do dianteiro.

No entanto, esse movimento deve ser acompanhado com cautela. Exportadores brasileiros vêm negociando com outros mercados para redirecionar os volumes originalmente destinados aos EUA e entidades como a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) também atuam na tentativa de reverter ou mitigar a medida junto ao governo norte-americano.

É importante destacar que a carne exportada aos EUA é predominantemente do dianteiro in natura, destinada principalmente à produção de carne moída e hambúrguer. Com a tarifa adicional, o produto brasileiro tende a perder competitividade, elevando o custo da carne bovina importada no mercado americano. Isso pode gerar pressão inflacionária sobre os preços nos EUA, afetando o consumidor final e forçando o país a buscar fornecedores alternativos, o que também poderá elevar os preços internacionais.

O cenário é desafiador, mas ainda em construção. Até a data de implementação da tarifa, há espaço para negociações diplomáticas e comerciais. O Brasil, como grande player global em proteína animal, tem capacidade de adaptação e alternativas de mercado para absorver essa demanda, reforçando sua presença em países asiáticos e do Oriente Médio.