Carne Sustentável: É isso que o consumidor quer?


 

1.    Introdução 

A evolução da sociedade revolucionou a forma como os consumidores reconhecem e escolhem os alimentos que consomem. Em particular, o conceito de qualidade alimentar evoluiu significativamente. Portanto, a sociedade e os consumidores estão cada vez mais conscientes de que a alimentação está muito além da disponibilidade de alimentos. A qualidade da perspectiva do consumidor depende de sua experiência, conhecimento, crenças e pode variar muito de pessoa para pessoa. Nesse sentido, são importantes as características dos alimentos, ou seja, as características relacionadas ao processo de fabricação.

Esses atributos estão relacionados às características do processo de fabricação e não necessariamente afetam as características físicas do produto final, são chamados de atributos de processo. A maioria desses atributos de processo são passíveis de certificação. Não é possível que os consumidores confirmem o processo de fabricação, ou seja, confiar nas informações fornecidas é a única opção. Portanto, atributos certificados devem ser baseados na opinião de terceiros.

Segurança alimentar, bem-estar animal e proteção ambiental podem ser vistos como propriedades certificadas de alimentos (especialmente carne bovina), e a demanda dos consumidores por eles tem aumentado nas últimas décadas.

De fato, o declínio no consumo de carne no Reino Unido na última década está relacionado às preocupações dos consumidores sobre o impacto ambiental da produção de carne. Além disso, a demanda por produtos diferenciados, como produtos orgânicos e produtos com denominação de origem protegida (D.O.P.) parece confirmar que existem segmentos de consumidores interessados ​​nesse tipo de atributo. O consumo sustentável é uma escolha que reflete a responsabilidade social (meio ambiente e comércio justo) e rotulagem (marca e rótulo), bem como a conscientização e as atitudes em relação às necessidades individuais do consumidor (sabor, preço, conveniência). Pode ser o resultado de um processo. Os compradores tendem a reconhecer os produtos sustentáveis ​​como de alta qualidade, valor social, ambiental e econômico. A indústria de carne bovina precisa entender esse comportamento do consumidor para melhorar a sustentabilidade e desenvolver medidas de conformidade regulatória relacionadas a essa demanda.

2.    O que é carne sustentável?

De forma simplificada, podemos defini-la como uma carne produzida com base nos princípios da sustentabilidade, ou seja, a partir de um sistema de produção que permite uma maior eficiência no uso dos recursos naturais, bem como a diminuição dos resíduos gerados, protegendo assim o meio ambiente.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), desenvolvimento sustentável é “o sistema capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações”.

2.1  Selo Rainforest Alliance

Atualmente existem algumas metodologias globais que classificam uma carne como sustentável ou não. Uma das mais conhecidas exige a adequação às 144 normas que precisam ser seguidas à risca para que o produtor consiga receber a certificação criada pela ONG americana Rainforest Alliance. Alguns dos requisitos são:

• Ausência de desmatamento ou destruição de ecossistemas;

• Diminuição e o uso seguro de agrotóxicos;

• Coleta e destino adequado de resíduos;

• Bem-estar associado a rastreabilidade animal, que ocorrerá do nascimento ao abate;

• Contratação e segurança de todos os trabalhadores, além do não trabalho infantil;

• Recuperação de florestas, preservação das matas ciliares e nascentes, e manutenção da qualidade da água.

Em todo o mundo, este é um selo de certificação verde que valida produções agrícolas, florestais ou turísticas que atendem os padrões de excelência em sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Na prática, para obter o selo específico da pecuária é preciso respeitar os 4 princípios presentes na norma:

• 1º Princípio – Sistema eficaz de planejamento e gestão

Este princípio inclui uma seção de requisitos específicos e visa promover a área de impacto “Produtividade e rentabilidade da fazenda”.

• 2 º Princípio – Conservação da biodiversidade

Ao implementar os padrões deste princípio, as fazendas contribuem diretamente para proteger o ecossistema natural de sua propriedade. Não contribui para o desmatamento.

• 3º Princípio – Conservação dos recursos naturais

O uso cuidadoso dos recursos naturais é a base básica da agricultura sustentável. Além disso, esse princípio visa garantir a saúde do solo e da água e reduzir o uso de agrotóxicos e combustíveis fósseis no processo produtivo.

• 4º Princípio – Proporcionar uma vida melhor e bem-estar humano

A filosofia por trás desta certificação é de que todos são iguais e precisam ser tratados igualmente. Por esta razão, o ser humano precisa ser colocado sempre no centro.

Por fim, para obter um selo de carne sustentável, o produtor deve solicitar um certificado por meio de um processo de auditoria realizado por uma certificadora treinada e certificada pela Rainforest Alliance no Brasil.

2.1.1 Muitas vantagens, mas há ainda alguns desafios a superar

Essa certificação garante que as atividades responsáveis ​​do pecuarista contribuam para a conservação dos recursos naturais, criem condições dignas para os animais e condições justas para os trabalhadores e promovam o melhor relacionamento com o meio ambiente. No entanto, apesar dos interesses de muitos consumidores, a carne sustentável enfrenta alguns desafios importantes. Principalmente o aumento de valor e a falta de informação. Esses ainda são fatores que dificultam o consumo consciente. Os consumidores precisam aprender a vir de empresas éticas e humanas e avaliar produtos que tenham origens e origens intencionais.

2.2 Carne Orgânica

A carne orgânica certificada é uma carne produzida a partir de um sistema produtivo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. Este sistema produtivo é auditado e certificado, garantindo que esta carne é produzida da maneira mais natural possível, isenta de resíduos químicos e com preocupação socioambiental. Toda a legislação ambiental e trabalhista deve ser cumprida, proibindo-se, por exemplo, o uso de pesticidas, o uso de fogo para manejar pastagens, o trabalho infantil e escravo.

2.2.1     Produção de carne orgânica e sustentável é realidade no Pantanal

Produzir uma carne da forma mais natural possível, com animais criados a pasto nativo, seguindo regras internacionais de sustentabilidade, e receber por isso um incentivo de R$ 118,20 por cabeça. Isso já é realidade no Pantanal sul-mato-grossense.

Através do Programa de Incentivo à Produção de Carne Bovina Sustentável e Orgânica no Pantanal, implantado em 2019, já foram pagos aos produtores, R$ 5,7 milhões em incentivos, o equivalente a 54.846 cabeças abatidas. Além de fomentar a competitividade dos produtores, o programa incentiva a pecuária de baixo impacto ambiental, baseada no modelo tradicional, com baixo nível de intervenção nos recursos naturais, e ainda valoriza a cultura do homem pantaneiro. 

2.3    Pecuária Neutra em Metano Entérico

Muitos herbívoros, durante o processo de digestão, produzem como resíduo o gás metano (CH4), 25 vezes mais poluente do que o gás carbônico (CO2).

O gás de efeito estufa encontrado em maior abundância na atmosfera é o gás carbônico (CO2), apesar de ser encontrado em menor quantidade, o metano (CH4) tem o potencial de aquecimento do planeta 21 vezes maior que o CO2 (IPCC 1997).

Ou seja, apesar de ter um ciclo de vida muito menor na atmosfera, cada tonelada de metano (CH4) emitida equivale a emissão de 21 toneladas de gás carbônico equivalente (CO2 eq).

A principal fonte de emissões dos gases de efeito estufa da pecuária de corte e de leite, a emissão do gás metano entérico ocorre pela fermentação no processo digestivo dos ruminantes. O rúmen é um dos estômagos mais adaptados para viver em diferentes ecossistemas, incluindo aqueles mais hostis. Para se obter os nutrientes provenientes do capim, alimento rico em fibra (celulose e hemicelulose), e transformá-lo na energia que será usada para a produção de músculos, o sistema digestivo dos ruminantes realiza uma reação de metanogênese, que tem como resíduo o gás metano, denominado metano entérico.

Carne Sustentável: É isso que o consumidor quer?

A imagem demonstra o processo de ruminação, o qual o oxigênio (O2) é absorvido e o metano (CH4) é exalado junto com o dióxido de carbono (CO2).

Aproximadamente 95% do metano produzido no rúmen, vai para o pulmão e é emitido para a atmosfera durante o processo de respiração e exalação e, assim, contribui para o aumento dos gases, tornando a pecuária uma das grandes fontes globais de emissão de gases de efeito estufa. No Brasil essa situação se acentua devido ao país utilizar em larga escala o modelo da pecuária extensiva, de baixa produtividade, e de possuir um dos maiores rebanhos do mundo. Portanto, trabalhar para a neutralização do metano entérico através de metodologias comprovadas e certificadas é uma das maneiras mais eficientes e promissoras de produzir com maior responsabilidade e sustentabilidade.

2.3.1 Carne Carbono Neutro

A Carne Carbono Neutro (CCN) é uma marca-conceito desenvolvida exclusivamente pela Embrapa, sendo por isso uma marca comercial embasada em pesquisas científicas da instituição.

Segundo a Embrapa, o conceito de “Carne Carbono Neutro” (CCN) visa atestar a carne bovina produzida em sistemas específicos de integração, por meio de uso de protocolos que possibilitam o processo de certificação.

Seu principal objetivo é garantir que os animais que deram origem ao produto tiveram as emissões de metano entérico compensadas durante o processo de produção pelo crescimento de árvores no sistema.

Vale ressaltar que todo o desenvolvimento do protocolo Carne Carbono Neutro é da Embrapa. O produtor precisa seguir o protocolo descrito pela instituição para depois ser certificado por uma empresa terceirizada de certificação acreditada pela Embrapa.

2.3.2     Conceito da CCN: superando desafios e tornando a produção sustentável

Um dos grandes desafios da produção agropecuária atual é produzir cada vez mais, porém sem comprometer o meio ambiente. Para isso, alguns aspectos importantes na produção da carne bovina devem ser considerados, tais como a busca pelo bem-estar animal, a conservação do solo e da água, a mitigação da emissão de gases de efeito estufa (GEEs) e o sequestro de carbono.

Para superar esses desafios, a Embrapa desenvolveu o conceito “Carne Carbono Neutro”, que é representado por um selo alusivo à produção de bovinos de corte sob sistemas de integração, com a introdução obrigatória do componente arbóreo como diferencial.

Com a integração, os gases de efeito estufa são capturados pela fotossíntese e ficam armazenados no tronco das árvores. Para isso, as fazendas precisam combinar a criação de gado com o plantio de árvores e assegurar que a madeira seja destinada à serraria, para ser usada na movelaria ou na construção civil.

Para conquistar o selo, a madeira não pode virar lenha nem papel, pois é preciso garantir que o carbono capturado na atmosfera pelas árvores se mantenha fixado.

2.3.3 Desafios e vantagens da carne carbono neutro

O conceito de carne carbono neutro apresenta muitas vantagens, principalmente para o meio ambiente e para os animais.

Para o meio ambiente, permite a redução das emissões dos gases de efeito estufa, que são os grandes causadores do aquecimento global.

Já para os animais, o sistema de integração com a floresta, proporciona bem-estar, principalmente em razão do sombreamento proporcionado pelas árvores, fato que contribui para elevar a produtividade.

Neste cenário é comprovado que a produção de leite cresce 30% e o peso aumenta em uma arroba só por estar em sistemas confortáveis. O animal deixa de gastar energia para liberar o calor e a utiliza para produzir mais carne, leite e embriões.

Além disso a produção de carne carbono neutro fortalece o mercado interno e, futuramente, a exportação de carnes para países exigentes, diferenciando o produto brasileiro em questões de sustentabilidade.

Por outro lado, a Carne Carbono Neutro é um produto com valor agregado, ou seja, é mais caro. Dessa forma, o principal desafio é fazer com que esse conhecimento chegue ao consumidor, bem como fazer com que a produção da Carne Carbono Neutro ganhe em escala, permitindo que seu valor seja reduzido.

2.3.4 Créditos de carbono

Tema extremamente atual e que tem movimentado consideravelmente este mercado, através dele, fazendas irão poder vender crédito para empresas - ainda barato, mas este mercado vai inflacionar demais nos próximos anos e, aquele que não conseguir ser sustentável - independentemente de qual setor atua, vai ver a população buscando alternativas. Ou seja, ou você cria esta alternativa e se mantém competitivo ou o próprio mercado vai criar e matar o seu negócio. 

3.    Proteínas alternativas

O aumento de consumo de produtos processados vegetais é uma tendência mundial. Os consumidores escolhem dietas à base de plantas por diversos motivos. Os produtos à base de plantas podem ser benéficos à saúde dependendo da matéria prima base utilizada na formulação, podendo ser classificado até como um alimento funcional. A indústria de análogos da carne começou nos Estados Unidos no século XIX, estabelecendo-se com mais força entre 1970 e 1990, mas no Brasil esta classe de produtos é mais recente. Os primeiros produtos à base de plantas encontrados no Brasil foram as bebidas vegetais (atendendo consumidores com intolerância/alergia a componentes do leite), depois surgiram as carnes de primeira geração. Em sequência surgiram as carnes vegetais de segunda geração e os ovos veganos. Atualmente já existe conhecimento e tecnologia para produzir produtos à base de plantas de forma eficiente e sustentável, atendendo as demandas de crescimento da população sem os efeitos negativos da produção tradicional. O mercado de proteínas alternativas é extremamente promissor, já que existe um aumento na procura de substitutos de carne, com diversas oportunidades de crescimento e sem líderes definidos até o momento.

Porém, pensar em alternativas à proteína tradicional de origem animal não é apenas uma tendência global de alimentação, mas uma necessidade praticamente de sobrevivência. Com a expectativa de a população mundial atingir, em 2050, a casa dos 9.8 bilhões de pessoas, é estimado pela ONU que seja necessário aumentar em 70% a produção de proteínas para corresponder à demanda esperada, e de maneira que não prejudique ainda mais o meio ambiente.

3.1 Os insetos como opção de proteína

De acordo com uma pesquisa sobre insetos comestíveis da Arcluster, consultoria de Singapura que estuda tendências, cujos dados foram publicados em parte no portal ComCiência, o mercado de insetos é promissor no setor de alimentação, com expectativas de que atinja um valor de US$ 1.52 bilhão em 2023.

Conforme o relatório, o número de consumidores desses produtos, já na casa dos dois bilhões, cresce cada vez mais, impactado pela busca por uma alimentação mais natural e saudável, já que os insetos são uma boa fonte de proteínas e minerais.

A procura por uma alternativa mais natural e rica em proteínas foi justamente o motivo da criação da Hakkuna, startup brasileira que produz alimentos à base de grilos, como farinha proteica, barra de cereais e snacks. De acordo com Luiz Filipe Carvalho, fundador da empresa, iniciativa surgiu a partir de uma necessidade pessoal, que conta também com aspectos de sustentabilidade e diminuição dos impactos do consumo no meio ambiente.

3.2  As proteínas alternativas produzidas em laboratório e plant-based

Outra tendência, que já é realidade no exterior, mas ainda muito incipiente no Brasil, é a carne produzida em laboratório, a partir de células animais, conhecida como clean meat. Além disso, também existem as proteínas que imitam a carne, feitas a partir de vegetais (chamadas de plant-based): fibras, lipídios e proteínas são retirados de plantas e reconectados na mesma forma da estrutura molecular da carne animal.

Nos EUA a Memphis Meats, startup que se encaixa na primeira categoria descrita, já recebeu mais de US$ 20 milhões em investimentos, tendo, entre seus investidores, Bill Gates, fundador da gigante Microsoft, e a Tyson, uma das maiores empresas produtoras de carnes no mundo. Por sua vez, a Impossible Foods e a Beyond Meat, startups de produção plant-based, já captaram mais de US$ 387,5 milhões e US$ 122 milhões, respectivamente, conforme dados do Crunchbase.

No Brasil, o GFI (The Good Food Institute) é uma ONG com o objetivo de estimular o mercado de proteínas alternativas aos ingredientes de origem animal, fazendo parte de um movimento de inovação da indústria. Sendo assim, além de outros campos de atuação, trabalha junto a empresas do setor para direcioná-las meio a esse cenário de evolução e disrupção.

O instituto, uma organização americana, possui operações, além da brasileira, na Índia, Europa, região da Ásia-Pacífico e Israel. O desafio de alimentar cada vez mais pessoas de forma produtiva e sustentável é e precisa ser o principal motivo para que as empresas, principalmente desse setor, repensem seus modelos de produção e incentivem as iniciativas que estão aparecendo.

3.3  Iniciativas nacionais e internacionais e os consequentes desafio de mercado

Um exemplo de startup brasileira que atua nesse mercado é a Biomimetic, fundada em 2016, com foco na produção de biomateriais. Atualmente, a empresa produz o chamado scaffold, material que serve de insumo para a produção da carne de laboratório, possibilitando um cultivo celular em 3D que, por sua vez, possibilita a criação das carnes estruturadas, ou seja, em formato de filés – almôndegas, hambúrgueres e embutidos se encaixam na categoria de desestruturadas.

Um outro grande desafio – e que aos poucos está sendo superado – é o alto custo de produção desses alimentos. Em 2013, segundo matéria do The Guardian, o cientista Mark Post, da Universidade de Maastricht (Holanda), apresentou os resultados do que seria o primeiro hambúrguer criado em laboratório, por meio de células bovinas – sem o abate de nenhum animal, gasto de energia 70% menor do que utilizado no método tradicional e utilização de 90% menos água e terreno.

O aspecto desfavorável disso tudo, no entanto, é o preço. O projeto inteiro, desde seu início até a produção final, que resultou em uma unidade do hambúrguer, custou €250 mil, aproximadamente R$ 1,5 milhão. Além disso, produtos plant-based, como os produzidos pela Beyond Meat, também possuem preços ainda pouco acessíveis: 1kg da proteína que imita a carne de frango custa, aproximadamente, 500 reais. Um quilo de frango custa, em média, entre dez e quinze reais no Brasil.

4.   Definindo o consumidor brasileiro 

De acordo com uma pesquisa recente da Toluna, 94% dos internautas já compraram produtos por serem sustentáveis. Ou seja, o hábito de consumir produtos que não poluem o meio ambiente é crescente no Brasil. Além disso, essa característica de ser “verde e ecologicamente correto” tem muito peso e impacto no processo de compra dos internautas. 92% dos entrevistados disseram que a sustentabilidade impacta o processo de compra. Isso precisa ser reconsiderado ao desenvolver ou desenvolver um novo produto que a propriedade considere. E o que os consumidores "verdes" procuram ao ler as embalagens? De acordo com a pesquisa da Toluna, os ingredientes orgânicos e naturais (48%) nas fórmulas são os mais importantes, seguidos pela certificação e selos sustentáveis ​​(47%) e materiais reciclados nas embalagens (40%). Sem teste em animais (40%). Os consumidores verdes também não economizam para ter seus produtos “conscientes” em seus carrinhos. O preço geralmente mais alto destes itens sustentáveis não é empecilho para estes compradores: 29% dos internautas concordam totalmente em pagar mais por estes produtos. E mais: 58% acreditam que produtos sustentáveis vão salvar o planeta.

Na verdade, esses consumidores não agem tão honestamente ao fazer compras. Mudar estilos de vida priorizando a sustentabilidade do planeta e das reservas naturais também é uma atitude viva no nosso dia a dia. A maioria dos consumidores (66%) já deixou de consumir alimentos e está pensando no planeta. 72% deles disseram que já haviam parado de consumir refrigerantes por sustentabilidade e 46% afirmaram ter reduzido o consumo de carne magra devido ao impacto ambiental. Já 18% afirmaram que reduziram o consumo de soja para proteger as reservas naturais. O futuro da mobilidade urbana também caminha para um selo “verde”. Os carros ainda são um importante meio de transporte, mas de acordo com a Pesquisa de Consumo Sustentável da Toluna, 93% dos usuários da Internet preferirão bicicletas quando surgir a oportunidade. Ao citar motivos para não utilizar a bicicleta, 46% afirmaram não utilizar a bicicleta por falta de ciclovias/ciclovias regulares e 44% afirmaram não utilizar a bicicleta por falta de segurança viária.

4.1 O novo consumidor de carne

Segundo a Nielsen, cada vez mais os consumidores estão dispostos a buscar alternativas de carne em busca de proteína. Na verdade, os que buscam proteínas estão mais propensos a considerar todas as opções disponíveis do que nunca. Os dados de compras de consumidores dos EUA de 2018 da Nielsen mostram que 98% dos compradores de carnes alternativas também compram carne. Vinte e um por cento dos compradores de carne também compram produtos alternativos de carne.

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Os substitutos da carne estão tendo um impacto econômico significativo no setor e as vendas estão aumentando. Mas os fabricantes e varejistas estão fazendo o suficiente para educar os consumidores nessa área? Fazer com que os consumidores experimentem alimentos modernos à base de plantas é uma coisa, mas promover a adoção a longo prazo e a mudança de estilo de vida é outra. A Nielsen também descobriu que 15% de todas as vendas de alimentos e bebidas nos Estados Unidos vêm de produtos que apoiam dietas baseadas em vegetais. Portanto, os consumidores já conhecem essa categoria, mas precisam convencê-los a continuar comprando. As empresas precisam explicar de forma clara e consistente porque seus produtos são mais adequados ao estilo de vida e às aspirações de saúde do consumidor final. Food Tech, Impossible Burger, foi um tema quente em 2018 para hambúrgueres à base de plantas, mas agora também é vendido em algumas unidades do Burger King. No Brasil, a Foodtech Fazenda Futuro fez sucesso com produtos similares, já recebeu investimento de US$ 8,5 milhões e agora vale US$ 100 milhões. Quais atrações a indústria alimentícia pode aproveitar? Ao focar em medidas sociais e ambientais, também podemos continuar a aumentar as vendas de alimentos alternativos à carne. Uma das áreas a estudar é o impacto da pecuária nas mudanças climáticas. Entre os americanos interessados ​​em reduzir o impacto da pecuária nas mudanças climáticas, 61% dos entrevistados reduziram o consumo de carne e 43% substituíram a proteína à base de carne por substitutos de proteína vegetal. 22% disseram que seriam vegetarianos ou veganos positivos.

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Quando adequadamente informados, os consumidores conduzirão grandes mudanças pessoais para contribuir para um impacto social e ambiental significativo.

5.    Como mostrar que proteína alternativa não é sinônimo de proteína sustentável?

Você pode começar com transparência e educação. Parece simples, mas 39% dos produtos direcionados para dietas à base de plantas não declaram em seus rótulos de produtos que são limpos, simples, sustentáveis ​​ou livres de ingredientes artificiais. Os substitutos da carne são processados ​​naturalmente. Portanto, as marcas precisam garantir aos consumidores que seus produtos são bons para manter a confiança e gerar compras recorrentes. Ao focar no comportamento social e ambiental, também podemos continuar a aumentar as vendas de substitutos de carne. Uma das áreas a estudar é o impacto da pecuária nas mudanças climáticas. Entre os americanos interessados ​​no impacto do gado nas mudanças climáticas, 61% dos entrevistados reduziram o consumo de carne, 43% substituíram a proteína à base de carne por substitutos de proteína à base de plantas e 22% tornaram-se vegetarianos ou veganos. Traga a mudança. Quando colocados no lugar certo, os consumidores promovem mudanças pessoais significativas e contribuem para um impacto social significativo. Também é importante lembrar que, quando o interesse pela novidade e pela moda diminui, os consumidores continuam cientes de como os produtos fazem a diferença entre o planeta e as pessoas que vivem nele. Os consumidores querem ser capazes de definir o que está no hambúrguer alternativo de carne bovina ou entender exatamente por que é uma escolha mais saudável ou melhor.

5.1  O que você precisa saber sobre as falsas soluções e reducionismos no debate sobre proteínas alternativas e sustentabilidade

A proteína animal é um elemento importante da nutrição, mas vai muito além disso. Este é um fator econômico essencial para os sistemas alimentares em todo o mundo. A pecuária sozinha sustenta 1,7 bilhão de pequenos produtores no Norte Global e no Sul Global, e esse setor como um todo responde por 4.050% do PIB agrícola mundial. No entanto, o aumento da produção e consumo de carne levanta preocupações sobre as implicações ambientais e de saúde em geral.

A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) estima que a pecuária é responsável por 14,5% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e contribui para as mudanças climáticas. Além disso, o abuso de antibióticos por grandes fabricantes industriais é uma das principais razões para o aumento de infecções por patógenos resistentes a antibióticos. A overdose de carne e laticínios está associada a um aumento da incidência de obesidade e doenças crônicas, mas as pessoas pobres não têm acesso a alimentos saudáveis ​​e adequados.

Só no Brasil, mais da metade dos domicílios brasileiros vive com algum grau de insegurança alimentar. Portanto, há um debate decisivo sobre o papel da carne, e geralmente da proteína animal, na saúde humana e ambiental. Há uma pressão crescente para desenvolver políticas públicas que possam abordar essas questões.

Mas qual é o melhor caminho a seguir?

Como em qualquer debate público, vários grupos de partes interessadas, muitas vezes conflitantes, procuram influenciar a direção do debate e suas decisões. Um novo relatório do IPESFood (Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis) analisa algumas das principais discussões que alimentam o debate sobre proteínas e orientam a busca de soluções. Há também equívocos, como a ideia de que mais proteína precisa ser produzida em todo o mundo para alimentar uma população cada vez maior.

Outras alegações são reducionistas, como a ideia de que a pecuária é incompatível com as metas de sustentabilidade. Assim, o relatório nos engana sobre o nosso sistema alimentar, incluindo as frequentes alegações de que simples diagnósticos enganosos são uma solução que triplica o bem-estar do planeta, dos humanos e dos animais.

De fato, a "carne à base de plantas" e outras soluções técnicas, como a carne cultivada em laboratório, não poderiam resolver os problemas ambientais adversos relacionados aos alimentos por empresas altamente focadas. Para o sistema financeiro, você pode criar e conectar-se a dominar mercados. No cenário brasileiro, as duas maiores empresas de processamento de proteína animal já entraram no mercado de carnes cultivadas em laboratório.

A noção geral de "precisar de mais proteína e menos carne" representa uma combinação dessas afirmações simples e enganosas. Isso é um mal-entendido. Primeiro, não há "lacuna de proteína" em termos de oferta global de proteína. Há pessoas pobres que não têm acesso a alimentos adequados que contenham proteína animal. A insegurança alimentar e a fome são causadas por essa condição, não por falta de "quantidades disponíveis" de proteína no mundo. Outro problema com essa ideia é que ela não leva em conta diferentes situações ao redor do mundo.

Diferentes condições territoriais mostram diferentes possibilidades na produção diversificada de proteínas animais. As principais preocupações da carne estão intimamente relacionadas à produção em escala industrial, como desmatamento e abuso de antibióticos, mas as formas de produção regenerativas podem evitar esses problemas.

O relatório do IPESFood evita diagnósticos simples, enganosos e generalizados que tendem a favorecer atores específicos em detrimento de outros atores com baixo poder político e "voz" nesta discussão e conclui com recomendações. Para promover uma transformação verdadeiramente sustentável e saudável do sistema alimentar, o Painel recomenda passar de uma abordagem reducionista para olhar apenas para as proteínas e adotar uma abordagem mais abrangente para todo o sistema. Isso significa começar no nível territorial, priorizar oportunidades de reforma que abranjam todos os aspectos ambientais e promover políticas públicas que tratem o sistema alimentar como um “bem público”.

O relatório é importante para processos que podem incluir consultas democráticas e locais de tomada de decisão que incorporem as perspectivas de atores como agricultores familiares e populações marginais. A ideia é criar uma forma justa, eficiente e duradoura de implementar a mudança na forma como os alimentos são produzidos.

6.    Considerações Finais 

Será mesmo que é isso que ele quer? 

Independentemente se o consumidor está ou não educado para exigir, produzir sob preceitos sustentáveis não será mais somente uma característica para atender o mercado. Será uma necessidade para se MANTER atuante no mercado de alimentos global. 

7.    Referências

BURNIER, P. C. A influência da dimensão ambiental na atitude, na intenção de compra e no desejo de pagar pela carne bovina. 2018. [178 f]. Tese (Programa de Doutorado em Administração com Concentração em Gestão Internacional) - Escola Superior de Propaganda e Marketing, [São Paulo] .

FAO. Pecuária sustentável e mudanças climáticas na América Latina e no Caribe. FAO website, 2022. Disponível em: https://www.fao.org/americas/prioridades/ganaderia-sostenible/pt/. Acesso em 13/05/2022.

FERNANDES, K. Produção de carne orgânica e sustentável é realidade no Pantanal. Portal do Governo do Mato Grosso do Sul, 2022. Disponível em: http://www.ms.gov.br/producao-de-carne-organica-e-sustentavel-e-realidade-no-pantanal/ . Acesso em 13/05/2022.

GIACOMELLI, F. O.; PINTON, M. B.; SILVA, S. B. S.; THIEL, S. R.; CAMPAGNOL, P. C. B. Inovações em proteínas alternativas: uma revisão sobre alimentos plant-based. In CIAGRO 2020: Congresso Internacional da Agroindústria. Anais...    https://doi.org/10.31692/ICIAGRO.2020.0216  Acesso em 13/05/2022.

INFORMA MARKETS. Carne carbono neutro: o que é e como deve ser produzida? Agrishow digital, 2020. Disponível em: https://digital.agrishow.com.br/pecuaria/carne-carbono-neutro-o-que-e-e-como-deve-ser-produzida.  Acesso em 13/05/2022.

LIGA INSIGHTS. Proteínas alternativas: um mercado crescente no Brasil e no mundo. Liga Insights website, 2022.  Disponível em: https://insights.liga.ventures/food-techs/proteinas-alternativas-um-mercado-crescente-no-brasil-e-no-mundo/ . Acesso em 13/05/2022.

MASALA TRENDS. Conheça o novo consumidor de carne. Masala Trends website, 2019.  Disponível em: https://masalatrends.com.br/conheca-o-novo-consumidor-de-carne/ . Acesso em 13/05/2022.

PECUÁRIA NEUTRA. O Projeto Pecuária Neutra e Regenerativa. Website Pecuária neutra e regenerativa, 2016. Disponível em: https://www.pecuarianeutra.com.br . Acesso em 13/05/2022.

ROCHA, C. Falsas soluções e reducionismos no debate sobre “proteínas alternativas” e sustentabilidade. Jornal Nexo, 2022. Disponível em https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2022/Falsas-soluções-e-reducionismos-no-debate-sobre-“prote%C3%ADnas-alternativas”-e-sustentabilidade . Acesso em 13/05/2022.

VIEGAS, I.; SANTOS, J. M. L.; FONTES, M. A. Percepção dos Consumidores Relativamente à Carne de Bovino: cenários de escolha a partir de grupos de discussão.  Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 53, Suppl. 1, p. S049-S062, 2015.